Espelho.
Sob este luar prateado um mistério emerge das profundezas da floresta dos Perdidos, e perambula por todas as ruas e esquinas procurando por ti. Aflito está já que não te encontras, ao que parece, em lugar algum. “Como ninguém conhece esse rosto tão belo? “ Indaga-se constantemente. De nada sabe ao certo, exceto uma coisa: quem o visse jamais esqueceria. E só ele sabe, pois é aquele que lembra: da delicadeza de cada detalhe; cada gesto, uma melodia. Aquele que admirava o movimento e as ondas, o fluxo de vida, de seu amado em silêncio devotado. E como a saudade esmaga seu peito agora! O pesar oprime o coração, sem ter alguém com quem dividir turbulenta emoção. Quando todos já se foram, a esperança que resta é encontrar o único que faz sua alma cansada vibrar, como criança dourada ao ser presenteada. Essa busca secular incessante quase faz o descompasso de seu coração congelar no tempo. Mas o desejo, a fonte de sua procura, impulsiona as batidas com ternura. O faz continua...